quarta-feira, 27 de abril de 2011

ÍNDIO NA PRAÇA

Por: Beto Ramos

Terra de índio.
Índio sem terra.
Rio de índio.
Índio sem rio.
Índio na praça.
Praça que não é lugar de índio.
Artesanato de índio.
Índio quase implorando para vender alguma coisa.
Cauim de índio.
Índio pedindo cachaça.
Índio quase nu coberto somente com urucum.
Filhos de índio querendo roupas de grife.
O Toré como dança de índio.
Índio querendo DJ.
Índio de canoa.
Pajé e Cacique nos carros importados.
Aruás.
Cintas-largas.
Gavião Monde
Ingarikó.
Canôes.
Karipuna.
Caritianas.
Araras-caros.
Kaxarari.
Kwazá.
Macurap.
Nambiquaras.
Oro-uins.
Painter.
Sakurabiat.
Tuparis.
Amondauas.
Tribos da minha casa.
Eu neto de índio.
Que não vivo sem internet.
Sem TV a cabo.
Também sou culpado por tudo isso.
Índio perdendo a identidade cultural.
A culpa é sua Cabral.
Cadê a oca?
Filho de índio agora freqüenta rede social.
Na Feira do Porto os índios misturam-se às mazelas dos quase índios.
Todos os dias são dias de índio.
Comprei um pau de chuva e um colar.
Depois senti vergonha de mim mesmo.
É Tupã, você passou e não disse o que queríamos ouvir.
O que me incomoda são aquelas crianças com o olhar distante, acreditando habitar o mundo dos outros.


Diz a lenda

terça-feira, 26 de abril de 2011

RESPEITEM PORTO VELHO: OS FILHOS DO PAC

“Para aqueles que pensam que a batalha não está perdida e esperam a chegada de uma nova era de esperança e felicidade, a notícia não é boa!!!!”






foto: Thércia



no Triângulo, os trilhos da EFMM jogados às traças, suspensos no ar e decadentes, a cara de Porto Velho
Há muito tempo, a promessa de que Porto Velho seria o Eldorado para uns e a Terra Prometida para outros, onde os bons ventos do progresso econômico continuariam soprando como se aqui fosse litoral, tem entrado em contradição com o desespero temerário da atualidade, na cidade onde uma população composta por uma miscelânea cultural das mais improváveis combinações não foi preparada para receber mais uma tsunami demográfica, o que parece ser sua vocação.

A primeira, no final do Século XIX e início do Século XX, na qual mais de 40 nacionalidades se aglomeraram em plena Floresta Amazônia, recepcionadas pela beribéri, pela malária e muita taquara dos índios Karipunas para construir um colosso movido a vapor sobre os trilhos em que cada dormente representava uma vida... E que não deu em nada.

A segunda foi a febre do minério (cassiterita e ouro) e da frente de expansão agropecuária, dos anos 1950/70, responsável por um forte processo de descaracterização cultural das populações locais e surgimento de uma nova configuração geopolítica no interior do Estado de Rondônia, empurrando a população nativa para Guajará-Mirim, Costa Marques (devido ao isolamento geográfico) e alguns bairros e distritos de Porto Velho.

Nesse período, foram concebidos projetos mirabolantes, assim como seus idealizadores e asseclas, muitos destes mais nefastos do que os próprios projetos, sem contar com aqueles que aqui chegaram, trazendo somente a fome e a pobreza, e aqui tiveram oportunidades que nunca teriam em sua terra natal, e que dilapidaram nosso patrimônio e, ainda, saíram falando mal de nosso local e do nosso Povo.
Outro momento foi o boom-colapso do garimpo, que gerou um dos ciclos mais perniciosos, principalmente para a juventude, em nossa Cidade, onde o surgimento de novas espécies de drogas para manter acesos os motores das dragas e balsas que, em certos momentos, davam a impressão de ser uma cidade flutuante de ouro e mercúrio, juntamente com a classe política emergente, repleta de marginais, destacada mais por sua ação criminal do que cívica, foram alguns dos fatores responsáveis pelo surgimento dos bolsões de miséria da periferia de Porto Velho, que apesar de pobre não se arrastava na lama negra da miséria que assolou esses bairros, após a débâcle do garimpo.
Registro de nascimento sem nome do pai, pois a própria mãe não sabia quem o era, a “mela” queimando as pontas dos dedos e derretendo os cérebros desde crianças aos idosos, a AIDS e DST’s contaminando desenfreadamente, sem contar com surgimento das “gangues” (logo dispersadas pela ação policial) foram algumas das conseqüências desse ciclo.
No interstício entre meados da década de 1990 e a meados da primeira do Século XXI, Porto Velho observou a construção do porto graneleiro (promessa que seria a portal do desenvolvimento de Rondônia, para o escoamento da produção para o mundo) e a transumância do gado oriundo do Cone Sul do Estado, o que foi responsável pelos maiores índices de desmatamento registrados na região.
Com uma malha viária precária, déficit habitacional, invasões de áreas protegidas, deficiência de serviços básicos de saúde, educação e segurança pública, massacres ocorrendo nos presídios e sucateamento de instituições públicas é anunciada a construção das hidrelétricas do Santo Antônio e Jirau, que foi ovacionada como se o próprio Cristo estivesse voltado para a Terra.
Especulação imobiliária, engarrafamento de automóveis com placas dos lugares mais improváveis do Brasil, o enxame de motos e carros, a “mela” trocada por oxidado e crack, aumento da violência, obras que nunca foram concluídas e os filhos do garimpo junto aos trabalhadores e afetados pela indústria barrageira, a nova proliferação da AIDS (PVH é a terceira cidade com maior número de infectados), políticos e empresários em conluio interessados nos recursos do PAC, viadutos inacabados e buracos, buracos e mais buracos.
Esse é o atual cenário proporcionado por mais um mega-empreendimento em nossa cidade, que apesar de ter ocorrido um crescimento econômico expressivo e gerado muitos empregos formais, tem observado a revolta de trabalhadores por não atendimento dos acordos firmados, sem contar com que as obras estão no ápice de empregabilidade e a tendência é diminuir os empregos que foram gerados, fato já observado com a construção da Usina de Samuel (cachoeira que era uma das belezas cênicas mais formidáveis de Porto Velho, pois ainda não havia Candeias do Jamary) e, que até hoje os excluídos de seu processo de indenização reclamam seus direitos.
Levando em consideração que a conjuntura tem uma séria tendência ao caos, e não nos referimos ao caos criativo, que apesar do cenário que é semelhante ao Quinto do Círculo do Inferno dantesco, ainda tem gente fazendo arte de qualidade em Porto Velho.
Tal manifestação é uma autocrítica de quem por muito tempo permanecemos na inércia, e que apesar da consciência política, ainda não havia incorporado o Zeitgeist (Espírito do Tempo) de uma cidade cujo engajamento político (suprapartidário) deve ser a ordem do dia, pois não se trata mais de buscar a salubridade, mas de manter a sanidade, de buscar nossa identidade e de transformar o nosso próprio destino para que não ocorra o que aconteceu com a geração atual que não teve quem lutasse por ela. Hoje, nós temos os filhos do garimpo e poderemos amanhã ter os filhos do PAC, que com a nossa omissão podem ter um futuro pior do que nós nos encontramos.
O fato é que nós filhos nativos ou adotivos de Porto Velho temos a obrigação de fazer o nosso papel, através da participação efetiva nos processos que determinam os rumos de nossa Cidade e, conseqüentemente, de nossas vidas, pois estamos vendo a história se repetir numa proporção muito maior do que já ocorreu, destruindo nossos sonhos e cachoeiras.
Portanto, sem a organização social e mobilização necessária para cobrarmos de nossas autoridades o cumprimento da lei e a aplicação correta dos recursos públicos, não garantiremos um futuro melhor para nossas crianças. Nós somos os únicos protagonistas do nosso presente e futuro. E isso não vai acontecer com um comportamento zen-niilista estando de braços cruzados e de boca calada esperando a construção de uma nova sociedade sobre os escombros da anterior, sem mover uma palha para isso. Vamos usar nossos corpos e mentes para reconstruir nosso Município.

Ação Popular: Respeitem Porto Velho!!!!

sábado, 23 de abril de 2011

Dança diária

Vai o poder sem freio, imaginando ser o dono de tudo.
Segue no poder, quem anda no escuro.
E os vaga–lumes voam bem perto da porta fechada.
Poderia o poder ser dono da simpatia de muitos?
Uma pena que venda antipatia e demonstração de força.
Vai o poder, pequeno como o espaço fechado em que rufam os tambores que não chegam a perturbar a beleza da luz dos pequenos vaga-lumes.
Vai o poder, desejando comprar o talento e a criatividade por qualquer preço, oferecendo espaços sem arte, para que se faça apenas a arte de quem se entusiasma como um passageiro no poder.
Segue na dança quem pensa em si mesmo.
Uma luta diária.
Pequenas curvas de rio.
Vai o poder com palavras estranhas que fazem crescer a luz dos vaga- lumes.
Os pequenos vaga-lumes iluminam o que muitos desejam saber.
Mas quem desejaria saber da força que o poder imagina possuir?
Ele, o poder, é que ainda dita o que alguns poderiam fazer.
Mas, o poder é passageiro e poderia mudar de quatro em quatro anos.
As luzes dos vaga-lumes sempre estarão a iluminar a porta fechada.
Resta saber se elas realmente se abrirão um dia.
São duas portas em lugares diferentes.
Camicases da cultura que se jogam há muitas aventuras por valores que jamais valeriam uma história.
A porcentagem sobre a luz dos vaga-lumes não precisam ser cobradas.
A luz já nasce com os vaga-lumes.
Palavras sem sentido?
Com certeza não será um vaga-lume que acenderá o pavio do que muitos sabem, mas poucos desejam acreditar.


Diz a lenda

Seiva da selva - Bado e Bando

Minhas Raizes - Curupira



Grupo musical do Distrito de Nazaré.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

NARCISO ACHA FEIO O QUE NÃO É ESPELHO




O narcisismo é um conceito psicanalítico criado por Sigmund Freud, que adotou o termo a partir do mito grego de Narciso. A origem da palavra Narciso,do grego Narkissos, vem de narkes, que significa entorpecimento, torpor, inconsciência. A palavra narcótica é derivada e indica qualquer substância que produza alteração dos sentidos, gerando narcose.
Faz-se correlação ao termo, também com a flor denominada narciso, bela e solitária, que nasce na beira dos rios, cuja existência é frágil e efêmera.
O narcisismo, cujo nome Freud tomou de empréstimo ao mito grego de Narciso, o jovem que enamorou-se de sua própria imagem espelhada na superfície de um lago, ficou associado, em nossa cultura, à idéia de vaidade que seria, dentre os sete pecados capitais, o mais grave, pois todos os outros derivariam deste.
Conforme o mito explicita, a idéia de narcisismo está vinculada à questão da imagem e esta, por sua vez, à noção de identidade. A imagem corporal é o primeiro esboço sobre o qual irão se desenhar, posteriormente, as identificações constitutivas da personalidade.
Assim sendo, ao abordarmos o tema do narcisismo, não podemos deixar de fazer uma reflexão acerca da função primordial da imagem no mundo contemporâneo, motivo pelo qual alguns teóricos enfatizam que vivemos no interior de uma cultura do narcisismo, entendendo-se por isto, uma cultura voltada para a imagem e para o individualismo.

Lembramos de um comercial que dizia: “ imagem é nada, sede é tudo. Obedeça sua sede, beba o refrigerante que você deseja.” O que se pode depreender desta palavra de órdem? Obedeça a sua sede, sua pulsão, seu desejo e não àquilo que um outro refrigerante promete fazer por sua imagem.É tão grande o poder da imagem em nossa cultura midiática, que o sucesso do referido comercial decorre da estratégia de utilizar a antítese, imagem é nada, para antagonizar seus concorrentes que afirmam: imagem é tudo.
Vemos então, que os conceitos de narcisismo, ego e identidade encontram-se estreitamente ligados. É pelo olhar do outro, especialmente este outro materno que encarna todas as nossas possibilidades de satisfação, prazer e segurança, que aprendemos a saber quem somos. Se o olhar deste Outro brilha por nós e se em algum momento pudermos nos sentir capazes de preencher este Outro de alegria, estaremos constituindo nosso amor próprio, aprendendo a ler no espelho do olhar do Outro, que nossa existência vale a pena e tem um sentido, nem que este sentido seja, num primeiro momento, preencher os anseios deste outro que significa tudo para nós, condição mesma de nossa existência. Mas não podemos parar por aí, estancando neste lugar de colagem onde nosso desejo não se distingue nem se diferencia, mas, ao contrário, se reduz ao desejo do Outro.
Ora, falar aqui do conceito freudiano que versa sobre o narcisismo, e logo sobre a imagem, é oportuno, para ilustrar a polêmica criada pelos impropérios lançados ao mundo, por Rafinha Bastos, standuper do CQC, através da net, denegrindo a imagem e a dignidade dos rondonienses.
Chamou-nos de feios e de filhos do Diabo... Ora, isto feriu de morte o narcisismo de nosso povo, que também xingou, ofendeu, falou até em impetrar ação civil pública junto ao MPF, para punir o humorista, pelo dito maldito!
Eis aqui então, Narcisos que somos, diante da mais viciosa das dependências: a da sempiterna aprovação e confirmação pelo outro, seja pela auto-imagem de si mesmo ou pelo testemunho externo, daquele que nós gostaríamos de ser. Negação de nós mesmos, incurável ingratidão....
Esse outro, Rafinha Bastos defendeu-se, dizendo que todos estão ao alcance dos tentáculos dos chistes do humor... Assim como ele disse que rondoniense é feio, há muito se diz que carioca é malandro, paulista é workholic, baiano é preguiçoso, mineiro é sacana, gaúcho é viado, e muitos outros estados que tem seu estereótipo mimeografado no ideário nacional. Defendeu-se dizendo que fazer graça com os defeitinhos dos outros é o que garante o mote e o ganha-pão de seu ofício: fazer rir!
Talvez ainda estejamos em infimo desenvolvimento psicossocial... Não suportamos a ferida narcísica! Pois bem, a dialética promovida em torno da polêmica foi bemvinda, reforçou nosso sentimento de "pertença", de recomposição de autoimagem lacerada, houve aí uma necessidade de aceitação,o querer ser aprovado pelo mundo, estar sempre agradando.., . assim, sem mais delongas, para não querer massagear mais o ego de quem quer que seja, termino, parafraseando Caetano Veloso:
"Quando te encarei frente a frente,
não vi o teu rosto,
chamei de mau-gosto o que vi,
de mau-gosto, mau-gosto,
é que Narciso acha feio o que
não é espelho"...

Myriam Queiroz
Psicóloga Clínica
CRP. 01-11.221

terça-feira, 19 de abril de 2011

Dara Alencar

Revelação da melhor qualidade!
Telefone p/ contato:069- 92643188 ou 069- 84322522

Diz a lenda – O trem não vai passar

Por: Beto Ramos


Mangueira deixando com suas frutas um perfume pelo ar.
Na sua sombra as crianças observam o trem passar.
Vai o trem.
Segue a toda velocidade.
Leva menino e menina.
Os velhinhos vão de mãos unidas.
Da Máquina Cinquenta não estamos vendo o futuro.
O rio seguindo em silêncio.
O trem a todo o vapor.
Vai à busca da sua história.
O trem não pode descarrilar nos trilhos do esquecimento.
Vai o trem viajando dentro dos nossos corações.
Vai cheio de pélas de borracha.
Tem saco de farinha.
Mulher levando beiju.
No cemitério da Candelária ao ouvir o barulho do trem, todos os mortos diante do esquecimento se levantam em respeito ao sonho sem realidade.
Segue o trem.
Vai a lugar algum.
Nos seus armazéns serviram comida.
Mas, o povo possui a fome pelo resgate da história.
Não queiram reescrever um conto pela metade.
O trem vai sem os seus trilhos.
Todos os dias as crianças ficam a sombra da mangueira esperando o trem passar.
Segue sem maquinista.
A rotunda está quase esquecida.
Existe cerca pra todo o lado.
Vai o trem como diz o Misteira: “Da Candelária eu vi o trem, dá Candelária eu vi o trem passar”.
Mas, o trem não vai passar.
Por enquanto fica só a beleza da mangueira.
Vai ficando somente na lembrança “Como era gostoso o balanço do trem, quando eu viajava junto com meu bem...”.
É Sílvio hoje tudo é apenas saudade e melodia.
Vai à máquina sem saber o tamanho das bitolas dos trilhos.
A locomotiva Barão do Rio Branco fica em silêncio.
Quase não existe o vapor d’água.
A caldeira vai ficando sem combustão.
Porto Velho, Santo Antônio, Zingamoche, Teotônio, Pedracanga, São Carlos, Quilômetro 54, Lusitânia, Quilômetro 75, Caracol, Jacy-Paraná, Quilômetro 104, Caldeirão, Quilômetro 115, Girau, Quilômetro 143 – 149 – 154, Três Irmãos, Quilômetro 165, Mutum-Paraná, Quilômetro 176 – 187 – 195 – 202 – 206, Abunã, Penha Colorado, Taquaras, Araras, Periquitos, Quilômetro 278, Chocolatal, Ribeirão, Misericórdia, Madeira, Vila Murtinho, Lages, Pau grande, Yata, Núcleo Agrícola, Bananeiras, Guajará-Mirim.
Todos estes pontos estão com uma mangueira cheia de crianças em sua sombra, esperando algum dia o trem chegar.
Alguém viu o kalamazoo.
Apenas em uma foto.
Alguém espera o trem na estação de Guajará–Mirim.
Uma espera sem fim.
Na Casa Seis alguém desejou ouvir comentários que o trem um dia vai partir.
Silêncio.
Tudo mudou.
Alguém chorou ao ver as sucatas dos vagões na beira da estrada.
Vai o trem.
A toda velocidade.
Apenas na nossa lembrança.
Gostaria de comprar uma passagem.
Na antiga estação existe Associação, Secretaria e Fundação.
O menino saiu correndo da sombra da mangueira.
- Mãe, o trem, o trem, alguém disse que o trem não vai passar!
- Menino, isto é coisa de museu!
- Poxa mãe, eu queria tanto ver o trem passar!
- Vai passar meu filho, um dia vai passar e o trem voltará a apitar.
- Acorde meu filho é hora de ir à escola!

Diz a lenda

domingo, 17 de abril de 2011

FUI AO INFERNO E NÃO VI O CAPETA

Por William Haverly Martins



Oxente bichinho, se recomponha! Ainda há tempo. A nave popular movida a resultados ainda o espera na estação espacial da opinião pública, mas lembre-se tolerância tem limite. Ocê corre o risco de um: “sai pra lá, peste”!

Comemoram-se na Rússia e no mundo os cinqüenta anos da ida do primeiro homem ao espaço. No dia doze de abril de mil novecentos e sessenta e um, o russo Yuri Gagarin, no interior de uma cápsula circular impulsionada pelo foguete Vostok 1, decolou do Cosmódromo de Baikonur, na então URSS, para uma viagem de cento e oito minutos, pouco mais de uma hora e meia, pelo espaço sideral, a uma velocidade de 28.150 km/h, com altitude máxima de 325 km, sob os aplausos entusiasmados dos comunistas do mundo inteiro, especialmente dos jovens idealistas deste meu país varonil, inclusive eu. Deslumbrado com o feito e a fama, ao aportar Gagarin pronunciou a frase que chocou o mundo cristão: “Fui ao céu e não vi Deus”.

Pois bem, o que será que viu nosso prefeito quando ingressou na nave vermelha do PT e desembarcou nestas plagas do sol poente de espaço geográfico aprazível? Com certeza viu sua conta bancária assomar ao espaço insaciável capitalista muito mais rápido que a do socialista Gagarin, guardadas as devidas proporções partidárias e de conceitos de espaço: Yuri estreou sem gravidade o Céu profundo, custeado pelos comunistas, retornou e não ganhou nenhum bem material, ou aumento na sua carteira de trabalho; o outro, com a gravidade preocupante de um cargo público, está fazendo uma viagem inversa, cavando seu próprio buraco no espaço político, embora se autodetermine socialista vem aumentando consideravelmente seu patrimônio, vendo estrelas, mesmo nas profundezas, ouvindo o tilintar de máquinas registradoras, ainda que surdo aos apelos populares. Acabará parodiando o outro: “Fui ao inferno e não vi o Capeta”, mas na viagem ao espaço interior deve estar rindo do povo e pronto a banhar-se na piscina de reais, como nosso velho conhecido das páginas de Walt Disney, Tio Patinhas. Enquanto isso na Old Port City o Patrimônio Histórico e não histórico vai pro espaço, no sentido pejorativo da palavra.

O prédio da primeira Prefeitura e da primeira Câmara Municipal, ou o que restou dele, localizado na ladeira Comendador Centeno, tombado pela Lei nº 1.099 de 26 de maio de 1.993 como Patrimônio Histórico do Município, está entregue aos desatinos administrativos de quem vem ultimamente ignorando a cidade e seu povo. Os viadutos, prometidos como solução ao trafico caótico, viraram escombros de um terremoto de licitações mal feitas, mal sucedidas, mas que deve ter inchado o bolso de alguém, ou de alguns, paralelamente aos inchaços doloridos da nossa paciência.

Tomara que esta dor permaneça até a próxima eleição, estimulando a memória na hora do voto, único momento em que a democracia permite a vingança, pena que depois da derrota, o derrotado volta milionário para sua região de origem, ou fica por aqui, malufando com a cara da gente, desfrutando da viagem de outrora ao espaço monetário, sob os olhares condescendentes do Ministério Público e da Justiça. Cadeia não foi feita para políticos.

O povo desta plaga poética do Norte não jogou pedra na cruz, não merece o papel de vilão nas novelas da vida, o de facínora da boca suja se encaixaria perfeito na pele do doutorzinho mineiro que falou mal da cidade, das mulheres e dos folguedos costumeiros desta terra, atingindo pela culatra os milhares de mineiros que tanto enriquecem o patrimônio cultural de Rondônia. Nosso porto cordial não merece professorzinho de historia com problemas psíquicos – Se Freud não explica, quem sabe Lacan? – capaz de enxergar membros sexuais de muares no lugar das nossas simbólicas Três Caixas D’Água – é dose cavalar de estupidez sexual. Não, nós não merecemos o comediantezinho ignorante do CQC, desprovido de conhecimentos, acometido de cegueira cultural e natural, a ponto de rotular de feia a mulher de Rondônia, esquecendo-se, por pura ignorância, que suas conterrâneas deram origem a beleza gaúcha das nossas prendas de Vilhena: atirou no próprio pé.

Chega deste bando ingrato de sanguessugas, chega de cuspir no prato que come, chega dos que se locupletam e retornam as suas origens, sem o mínimo de decência: – muito obrigado - ou de reverência oriental ao Marco das Coordenadas Geográficas que deu origem à construção da EFMM, consequentemente da cidade. Pra quem não sabe e quer me seguir o exemplo, apareça por lá, faça uma inclinação respeitosa e simbólica, como uma gueixa agradecendo as benesses de seu benfeitor, fica na Avenida Farqhuar, entre a Avenida Carlos Gomes e a Rua D. Pedro II.

Da mesma forma que malhamos os maus exemplos, aplaudimos os precursores responsáveis pelos primeiros passos, pelo desabrochar estanhado/dourado da adolescência, pela caminhada desenvolvimentista do inicio da maturidade, pelo companheirismo, pela mescla de culturas que nos transformou neste estado modelo: uma colcha de retalhos oriundos de todas as regiões deste país, costurada pacientemente pela Velha Locomotiva 12, “Cel.Church” – como estará o Monumento aos Pioneiros inaugurado pelo saudoso Teixeirão, em 1.984, no trevo do Roque e sepultado pelos entulhos do que seria um viaduto?

Nosso reconhecimento aos que vieram somar, aos que constituíram famílias às margens do simpático Madeirão, aos que contribuíram e contribuem com a formação e o desenvolvimento de nosso município, de nosso Estado. Aos que não medem elogios ao nosso Arraial Flor do Maracujá, suas quadrilhas e bois-bumbás, aos que sem lenço nem documento se extasiam freneticamente atrás da Banda do Vai Quem Quer, aos que culturalmente sabem que o brilho e o cheiro do nosso povo são os mesmos do resto deste país “abençoado por Deus e bonito por natureza”, aos que boquiabertos acompanham, às sextas feiras no Mercado Cultural, A Fina Flor do Samba. Muito Obrigado!

ACRM - Entrega de logomarca desenvolvida por Beto Ramos p/ o presidente da Associação Zé Maria


Diz a lenda - Águas barrentas

Por: Beto Ramos



Um mergulho em águas barrentas.
Águas turvas que trazem em seus banzeiros os medos de quem são os que não mergulham em teu silêncio.
No barranco fica a lágrima do caboclo, que escorre junto ao barro.
Águas barrentas com o rebojo de vaidades.
Coisas que afloram diante da poesia.
As águas barrentas possuem seus mistérios.
Mas, não são tristes.
A tristeza existe no que se esconde na alma dos que olham e falam com o medo das tuas correntezas.
Mergulhei em águas barrentas.
Sempre sobrevivi por saber compreender os mistérios dos banzeiros e dos rebojos.
O caboclo vai continuar de cócoras ou acocado, para ver onde a lágrima vai chegar.
As águas barrentas possuem mais belezas que a alma de alguns.
Navegar em águas barrentas não é mergulhar em águas barrentas.
Os que navegam apenas dizem o que querem sobre os teus mistérios.
Os que mergulham sabem os teus mistérios.
Águas como poesia.
O estranho é que as águas barrentas possuem menos mistérios que a alma de alguns.
O caboclo fica em silêncio.
Os que navegam falam o que querem.
Duvido muito se possuem a coragem de mergulharem para desvendar os teus mistérios.
O caboclo prefere ficar chorando no barranco.
Águas barrentas são mais belas que as palavras em horas incertas vindas da alma de poucos.
O medo é descobrir realmente a verdade da alma de alguns.
Mergulhei em águas barrentas. Hoje, descobri que a poesia de muitos ao parecerem águas cristalinas, jamais se misturariam com águas barrentas.
Cristalinas somente as lágrimas do caboclo que em silêncio compreende os segredos de tuas correntezas, banzeiros e rebojos.
Banhar-se em águas barrentas possui menos perigo que ouvir o que parece cristalino, mas que jamais compreendera a força que possuem as palavras.
O caboclo precisa de solidão.
A companhia de quem não compreende para crescer, sempre vai toldar as águas de quem acredita navegar sempre em águas cristalinas.
A tristeza vem nas lágrimas do caboclo por não ter acreditado em ver o óbvio que sempre existiu a sua frente.
Onde ficam as águas barrentas?
Distante de quem acha que somente mergulha em águas cristalinas!


Diz a lenda

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Diz a lenda – Estou Fora

Por: Beto Ramos

Olá Dona Morte, que papo é esse de continuar com estes vôos rasantes sobre nossa cultura beradeira?
Deixe de ser besta e vá baixar em outra freguesia!
Ali no canto esquerdo do Mercado Cultural, somente os meus olhos viram o Neguinho Orlando junto com o Manelão, comentando que havia alguma coisa errada com o rei.
Cuidado Dona Morte, ai no andar de cima já existe uma comissão de frente que vai lhe peitar com certeza.
Deixe de causar pânico no meio cultural.
Ta assim de gente com medo que o seu nome vá enfeitar as cadeiras do Bar do Zizi, na homenagem que ninguém anda querendo ter.
Dizem que já estão reservando cadeiras para alguns!
Sai pra lá Dona Morte.
E olha o sorriso do Neguinho Orlando dizendo: - Cuidado pode ser a tua vezzzzzzzzzzz!
Sabe Dona Morte, a única coisa certa na vida é a sua visita, mas, é muita covardia a senhora querer fazer acampamento no nosso meio.
Já estou sabendo que tem meia dúzia por ai que já reduziu pela metade a quantidade de birita que bebia.
Gente que nunca fez chek up anda visitando tudo quanto é médico.
Só não pode cair nas mãos do Doutor Inconseqüência.
O Beto César estava com medo na despedida do Genésio.
Beto, lá em cima talvez eles não queiram poupar pó de café!
Dom Lauro, o Mado e o Eliseu já andaram vendo o Beleza lá na Catedral.
Bem, Dom Lauro disse que não era alma, pois não havia se arrupiado.
O Mado e o Eliseu por gozação, disseram que iriam deixar Dom Lauro sozinho. Então Dom Lauro disse:
- Agora eu me arrupiei!
Acho que o Mado anda meio cabreiro com o Beleza.
Como diz a minha mãe, discongelo!
Bem, eu é que não quero virar visagem.
Quero que a sua foice fique bem cega e que ninguém possa amolar a sua lâmina.
Deixe de plantar tristeza entre nós.
Sentir tristeza era o que o seu manto negro precisaria.
Assim, com certeza não levaríamos tantos sustos.
Mesmo assim, vou aferir minha pressão, tomar remédio para hipertensão, também tomar chá de imbaúba, ir à rezadeira, fazer chek up, começar a caminhar, reduzir a birita e ficar esperto para não me arrupiar com a sua presença.
Dona morte vá cantar em outra freguesia!

Diz a lenda

Comentário do Amigo Artur Quintela

"Obrigado amigo pelo comentário!
É bom saber que não somos um execito de um homem só!
A beleza do ser humano nasce na alma!"
Beto Ramos

RONDÔNIA DOS MEUS AMORES
Não quis publicar nada meu – diretamente – aqui no blog a respeito do que o palhaço Rafinha Bastos – do CQC – falou a respeito de Rondônia.
Não achei que valesse a pena tratar de uma pessoa que não conheço, que não faço questão de conhecer, que faço questão de não ser apresentado. (que, e não quem, pois não considero que mereça tratamento personal). Cerco-me de pessoas cultas – não necessariamente eruditas, pois estas, na grande maioria, não o são na realidade.
Mas o texto do Beto Ramos é uma poesia. E uma poesia merece ser tratada com amor. Esse sentimento enorme que balança todas as outras emoções.
Quando falamos de Rondônia, falamos com amor. Do amor.
Não sou nativo desta plaga. Sou de Maceió. Capital linda e hospitaleira. Povo simples e hospitaleiro. Cercada de recifes de corais, Maceió proporciona ao turista um verdadeiro banho de piscina natural, afastado centenas de metros da areia de Pajuçara.
Cresci no Rio de Janeiro – a Cidade Maravilhosa. Foi lá que frequentei a Universidade Católica, na Marquês de São Vicente, Bairro da Gávea, quando a Rocinha já era – então – uma das maiores favelas do País.
Conheci Porto Velho num daqueles “intervalos” da infância. Foi paixão repentina e verdadeira. Imorredoura. Inesquecível.
Ao sair da PUC peguei na alça da mala e voltei a Rondônia. Coração dividido, ainda, quando às narinas aflorava o cheiro de mar, colocava uma passagem no bolso, esperança no coração e lá voltava às praias salgadas do litoral.
Lá, passava por aperto igual, quando sentia o aroma das flores da mata, o cheiro do buriti, gosto de açaí… passagem no bolso, esperança na alma e… Porto Velho aqui estou eu.
A poesia de Beto Ramos me faz voltar àqueles tempos. Idas e vindas… até descobrir a poesia-mulher. Mulher de Rondônia. Portovelhense da gema, da clara e casca. Que seria a mãe de meus filhos.
Curiosidade. Filha de alagoano e pernambucana.
Eu, alagoano, filho de alagoanos.
Nordestino de cara e alma. E apaixonado pela Amazônia.
Aqui tem um quê diferente do restante do Brasil. Um quê que não se encontra em lugar nenhum deste imenso Brasil.
Aqui encontramos todos os brasis. De Norte a Sul, de Leste a Oeste. Todos os estados de nossa federação, inclusive o Distrito Federal estão representados com seus filhos laborando e vivendo em harmonia perfeita com estas paragens.
E o quê de diferente é exatamente por não encontrarmos nenhuma capital tão cosmopolita assim, dentro do imenso (repito) território brasileiro.
Posso acentuar a veemência dessa afirmação. Conheço 24 das 27 capitais brasileiras. E não é fácil encontrar rondonienses por aí. Muito menos portovelhenses.
Essa é uma particularidade nossa.
Talvez isso seja o que Rafinha chamou de “feio”. Talvez por isso ele tenha se referido a Satanás como filho de Rondônia. Ele não sabe mais o que é belo e harmonioso. Sequer acha seu corpo belo, tanto é que deformou-o com garatujas.
Rafinha não sabe que aqui temos CTG (ele sabe o que é isso?). Não sabe que aqui temos rodeios à moda barretense. Não sabe das nossas Escolas de Samba, Bumba-meu-boi e Boi-bumbá (será que conhece a diferença?).
Rafinha não sabe que seus conterrâneos são pais dessa “gente feia” que viu quando passou por aqui. Não sabe que seus vizinhos do andar de cima encontraram aqui refúgios para as tragédias de suas origens. Não sabe que a hospitalidade daqui se deve, exatamente, a essa mistura de culturas de todos os cantos do Brasil. E desdenha por não saber, sequer, o que é cultura.
O texto de Beto Ramos retrata bem porque amamos tanto Rondônia e mais ainda Porto Velho.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Diz a lenda – A Arte do Insulto

Por: Beto Ramos


Para começo de conversa, não valeria um centavo dar credibilidade ao tal Rafinha Bastos.
Ou seria o Dr. Inconsequência?
A beleza que ele procura não existe nem mesmo em sua personalidade.
Coisa pequena.
Medíocre.
O seu DVD a Arte do Insulto já diz tudo que precisamos entender.
Para o “New York Times”, este donkey é o mais influente no twiter.
Este tal stand-up já era apresentado por Chico Anisio antes do pai deste camarada nascer.
O Chico completa este mês oitenta anos.
E pelo que sabemos nunca diminuiu o terreiro deste imenso Brasil.
Precisamos apenas compreender que a beleza das nossas beradeiras e beradeiros encantam qualquer ser sensível que possua coração e não uma pedra fria dentro do peito.
Ofenças somente são engraçadas aos que pertencem a mesma estirpe.
O riso com certeza ficou um pouco triste com esta tal Arte do Insulto.
Como amo minha gente e todo este Brasil de meu Deus, apenas deixo vir aos meus lábios o meu sorriso.
Um sorriso não pela graça sem graça deste camarada.
Mas, um sorriso por saber que a beleza que ele tanto almeja, somente existe na sua inconsequência e palavras tão sem sentidos.
Amar Rondônia é a poesia mais bela para todos nós.
Ele não conhece com certeza o sorriso de nossas meninas.
Não poderia jamais entender a beleza das andorinhas de agosto.
Jamais ouviu os Tambores do Tracoá.
Ele precisaria ver para saber como é que andava o trem na Madeira Mamoré.
Porto Velho é o nosso dengo.
Porto é um velho porto cheio de recordações.
Com certeza nunca ouviu falar na beleza de Nazaré com o grupo musical Minhas Raízes.
Não conhece o Vale do Guaporé.
Nem viu os sorrisos do Bubu quando canta Serraria das onze horas.
Ele precisaria ver a beleza da Rita Queiroz com suas pinturas beradeiras.
Nem conhece as pastoras lá de Santa Bárbara.
Precisaria ver os sorrisos da nossa população ribeirinha quando come peixe com farinha.
Nunca viu a beleza das performaces do poeta Mado com o seu rosto pintado, demostrando a alegria de ser beradeiro.
Nunca viu com certeza a beleza das meninas dos bois bumbás de Gujará e Porto Velho.
Talvez nem saiba que existem pessoas lindas na festa do Divino Espírito Santo.
Quem daria algum centavo para o que diz este tal Rafinha Bastos?

Diz a lenda

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Relação dos Projetos aprovados pela coordenação de cultura do SESC/RO


terça-feira, 12 de abril de 2011Relação dos Projetos aprovados pela coordenação de cultura do SESC/RO
ARTES PLÁSTICAS
• DIÁLOGOS SOBRE A CIDADESA - MIRA MARGOTTO – SELECIONADO
• AMAZÔNIA MINHA VIDA EDILSA MOTA – SELECIONADO
• IMPRESSÕES HUMANAS NA PAISAGEM AMOZÔNIDA - BETHOVEM DELANO – SELECIONADO
• TRAMA - LUIZ BRITO – NÃO SELECIONADO
• EXPOSIÇÃO MISTA - ASSIS SHATOBRIAND – SELECIONADO
• REALIDADES ALTERNATIVAS - BOTÔTO - NÃO SELECIONADO
• RIO MADEIRA GIGANTE DA FLORESTA - MIKÉLITON – SELECIONADO
• CONSTRUÇÕES - SILVIA FELICIANO – SELECIONADO


LITERATURA
• RETRATOS POÉTICOS - ELIAS ODILON MACEDO BALTHAZAR E MICHELE SARAIVA - SELECIONADO
• LITERATURA E EROTISMO - ÉDER RODRIGUES - SELECIONADO
• PROSA E POESIA - ÉDER RODRIGUES - SELECIONADO

ARTES CÊNICAS
01.PERDIDOS NA FLORESTA - GRUPO DE TEATRO WANKABUKI – SELECIONADO
02. ONDE ESTÁ MIMI - CIA TITÂNICA DE TEATRO – NÃO SELECIONADO
03. AS SANTINHAS DA COMÉDIA - GRUPO NOVA GERAÇÃO – NÃO SELECIONADO
04. REFORMA DO AMOR - ABBA CIA DE DANÇA– NÃO SELECIONADO
05. AS INSANAS - SOCORRO VIANA – NÃO SELECIONADO
06. STANISLAVSKI E O MÉTODO DAS AÇÕES FÍSICAS - ÉDER RODRIGUES – SELECIONADO

MÚSICA
01-TRIO DO NORTE – PVH – SELECIONADO
02-OSÉIAS ARAÚJO – PVH – SELECIONADO
03-GREGO – JI-PARANÁ – SELECIONADOO
04-GRUPO ÂNIMA – PVH – SELECIONADO
05-KLAYTON GALDINO – JI-PARANÁ – SELECIONADO
06-ERNESTO MELO E A FINA FLOR DO SAMBA – PVH – SELECIONADO
07-DUO MÁRCIA LIMA E GUSTAVO PEREIRA – PVH – SELECIONADO
08-SILVIA FREIRE E ROSEMARY ABENSUR – PVH – SELECIONADO
09-RUD PRADO – PVH – SELECIONADO
10-CRISTIANO SOUZA – PVH – SELECIONADOO
11-MADRIGAL DE PORTO VELHO – PVH – SELECIONADO
12-QUARTETO PIANISTICO – PVH/JI-PARANÁ – SELECIONADO

Mais informações no (69)3229-5882 ramais cultura 238/239

quinta-feira, 7 de abril de 2011

DIZ A LENDA – O QUINTAL DA SAUDADE

Por: Beto Ramos


Lembrei-me das castanholas.
Ficavam caídas pelo chão.
Caiam de uma castanholeira enorme.
Castanholeiras que resistiram ao tempo, mas não suportaram ao progresso.
Lembrei-me das mangas.
Mangas comuns.
Saborosas e doces.
Eram comidas com farinha d’água a qualquer hora do dia.
Eram frutos de uma frondosa mangueira.
Lembrei-me dos tucumãs.
Também caiam pelo chão.
Tucumãs carnudos, também comidos com muita farinha d’água.
O tucumanzeiro era local de caça na época em que era permitido fazer alguma coisa no leite da castanha.
Lembrei-me dos jenipapos.
No ar ficava o seu cheiro forte quando caiam pelo chão.
Jenipapos dos licores de outrora.
Era um jenipapeiro bem maior que a minha saudade.
Lembrei-me das ingazeiras.
Saboroso ingá.
Dos dois tipos.
Ingá cipó e a outra pequena que dava até entupimento.
Eram ingazeiras que causaram muita peia e surras na meninada.
Lembrei-me do cajueiro.
Cajus vermelhos e amarelos.
E tinha o cajuí que era pequeno e doce como mel.
O tronco dos cajueiros eram todos raspados para fazer remédio caseiro.
Lembrei-me do murici.
Com sua cor amarela.
Os muricizeiros existiram em algum lugar desta saudade.
Este é o que mais gosto.
O cupuaçu.
Existiam muitos cupuaçus ao alcance de nossas mãos.
- Vem menino, vem tomar vinho de cupuaçu!
E faziam cremes.
Recheio de bolo.
E dava para comer somente com açúcar.
E o doce era saboroso.
- Quando você for ao mercado compra um saquinho de polpa de cupuaçu!
- Eu não! Gosto é de vinho de cupuaçu com caroço, feito e amassado com a mão.
E tinham os biribazeiros.
- Você gosta de fruta do conde?
- Não! Gosto de biribá!
Poderia ser ata.
E tinha um cajazeiro.
Taperebá!
Pela manhã aquele cheiro era muito bom.
E eram comidos muitas vezes com uns bichinhos brancos.
Este era gigante.
Não dava para subir de jeito nenhum.
Lembrei-me das abacabeiras!
Vinho de abacaba.
Delicioso e gorduroso.
Quando meu avô fazia, nunca se esquecia de guardar pra mim.
Os açaizeiros eram muitos.
Vovô subia com peconha.
E eles envergavam muito.
Mas, vovô descia com o cacho na mão.
E era uma festa para fazer vinho de açaí.
- Vê se a água esta morna menino!
- Cuidado se não o açaí vai encruar!
Nunca comi um palmito de açaizeiro.
Lembrei-me dos buritizeiros.
Ainda existem muitos por aí.
As talas dos papagaios eram tiradas deles.
Com as talas do buritizeiro fizemos papagaios e muitas tranças, cortamos um monte com das menas, e quando não dava fazíamos guzuba.
Lembrei-me do pé de cajarana.
Este foi embora primeiro, pois ficava bem na divisa dos quintais.
Enquanto existiam cercas ele sobreviveu.
Chegando o muro.
Foi sacrificado, sendo observado pela tristeza dos nossos olhos.
Lembrei-me do marmeleiro.
Frutas vermelhas que nunca saíram de minha lembrança.
Há muito tempo não vejo um pé de marmelo.
Na beira do poço, existia um pé de tamarindo.
Azedo de fazer careta.
O suco era muito saboroso.
Sabe poeta nós temos algumas coisas em comum.
Quando fecho os meus olhos também começo a lembrar de tantas coisas.
Éramos felizes e não sabíamos!

Diz a lenda

DUZENTOS E CINQUENTA EM QUATRO I

Os pesadelos não podem ofuscar nossos sonhos. Diante da inconsequência de quem resume a vida dos outros na sua prisão de lamentos, ...