quarta-feira, 27 de abril de 2011

ÍNDIO NA PRAÇA

Por: Beto Ramos

Terra de índio.
Índio sem terra.
Rio de índio.
Índio sem rio.
Índio na praça.
Praça que não é lugar de índio.
Artesanato de índio.
Índio quase implorando para vender alguma coisa.
Cauim de índio.
Índio pedindo cachaça.
Índio quase nu coberto somente com urucum.
Filhos de índio querendo roupas de grife.
O Toré como dança de índio.
Índio querendo DJ.
Índio de canoa.
Pajé e Cacique nos carros importados.
Aruás.
Cintas-largas.
Gavião Monde
Ingarikó.
Canôes.
Karipuna.
Caritianas.
Araras-caros.
Kaxarari.
Kwazá.
Macurap.
Nambiquaras.
Oro-uins.
Painter.
Sakurabiat.
Tuparis.
Amondauas.
Tribos da minha casa.
Eu neto de índio.
Que não vivo sem internet.
Sem TV a cabo.
Também sou culpado por tudo isso.
Índio perdendo a identidade cultural.
A culpa é sua Cabral.
Cadê a oca?
Filho de índio agora freqüenta rede social.
Na Feira do Porto os índios misturam-se às mazelas dos quase índios.
Todos os dias são dias de índio.
Comprei um pau de chuva e um colar.
Depois senti vergonha de mim mesmo.
É Tupã, você passou e não disse o que queríamos ouvir.
O que me incomoda são aquelas crianças com o olhar distante, acreditando habitar o mundo dos outros.


Diz a lenda

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