segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Diz a lenda - Seu Manelão

Por: Beto Ramos



Seu Manelão cadê você?

A Banda vai com o jeito do General.

Deixe a chave do céu para lá.

Era para você abrir o nosso carnaval.

Venha brincar com sua corte que somos todos nós.

Mas, se for para ter carnaval no céu, está tudo bem.

Lá no andar de cima já existe uma Banda de anjos tortos numa folia imensa pela sua chegada.

Seu Manelão cadê você?

A vida muitas vezes segue na contramão.

O Léo está cheio de razão.

Você é o nosso Marechal.

Lembro-me quando você ia à casa de meu pai e dizia que o lugar era tão pequeno que era preciso dormir em pé.

E meu pai também está lá em cima lhe aguardando.

Você vai fazer falta.

Mas, a Banda precisa passar.

Na contramão como sempre.

Uma contramão que é a vida de todos nós.

Sempre chega o dia de um adeus.

Mas, como sempre foi sua vida, haveria de ser na época do carnaval.

Vou continuar saindo de mulher.

Os metralhas estão aí meio ao nosso carnaval, fazendo da realidade suas fantasias.

E mais de cem mil pessoas irão chorar.

E a Banda vai ser sempre a Banda do Cláudio Carvalho, Sílvio Santos, Evemar Mesquita, Manoel Mendonça (Manelão), Antonio Edson (Nenê), Paulo Queiroz, Narciso Freire, Emil Gorayeb Filho (Emilzinho), Eliana e Lica.

Na Banda vamos tomar besouro pra pegar mulher.

Então, eu vou iniciar meu carnaval no sábado.

Pois chegou a Banda, a Banda, a Banda.

E a nossa Banda quando passa é uma alegria geral.

E lá vem a Banda venha ver como é que é.

Vamos brincar para esquecer as CPIS.

Por isso eu não vou vão me levando.

Pois a Banda sempre será uma menina mulher.

A Madeira Mamoré foi a mãe dos Cassacos... É chamada de Maria Loca.

Ainda estão misturando combustível, é sacanagem eu me abasteço de mulher.

Seu Manelão, eu quero mais um dia, um sábado só é pouco.

O povo ainda não entende boroca de nada, é a maior palhaçada, é bolsa é lei Pelé.

Veja o nosso carnaval hoje em dia.

Mas, isto é carnaval não me leve a mal tudo eu já deixei para lá.

O frango continua sumindo de nossa mesa.

Nas Bancas do Mercado Central quando o dia amanhece tudo é carnaval.

Lá vem a Banda do Manelão, meu amor ô, ô...

O General é vitalício e faz a Banda seguir na contramão.

Este ano o motivo é maior para transformar o asfalto num rio de suor.

Vem comigo ser criança pelo espaço sideral.

Seu Manelão a saudade vai brincar e brindar o carnaval.

E a Banda irá sempre passar com o jeito do General.

Até breve seu Manelão.



Diz a lenda

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Diz a lenda - PORTO SOLIDÃO I

Por: Beto Ramos



No meu porto de solidão, ancorando a nostalgia, vem a lembrança de uma Porto Velho que até outro dia quase cabia na palma de uma mão.

Coisa alguma era distante.

Todos se conheciam.

E tudo mudou.

Chegaram os prédios e um monte de automóveis.

O que era visto antes na televisão, agora vivemos ao vivo e a cores.

Temos até engarrafamento.

Ao descer a ladeira ao lado do Palácio Getúlio Vargas, são pouquíssimas as pessoas que conhecemos.

Então, vou ficando com os meus ouvidos bem abertos para ouvir as histórias e estórias da nossa gente.

No meu porto de solidão, existia a lagoa do Boi que ficava na Rua Getúlio Vargas próximo a Avenida Carlos Gomes.

Dizia meu avô que ali havia morrido um boi afogado.

Na esquina da Getúlio com Carlos Gomes, morava o seu Bastos que fazia colchão de campim.

Na Rua Salgado Filho com a Avenida Carlos Gomes morava o seu Biô, que gostava sempre de tomar algumas a mais.

Na Getúlio com a Rua Duque de Caxias, fica a Taberna Pindaré.

Neste espaço passei muitos dias das páginas de minha história.

E quando passava o seu Chicão, a meninada toda corria, pois minha avó dizia que ele era o homem do saco.

Ali no meio da quadra na Avenida Carlos Gomes entre Getúlio e Salgado Filho morava a Dona Dadá.

E Dona Dadá fazia nossa quadrilha com música na Vitrola embaixo de um grande pé de cajá.

Todo ano a música era a mesma.

E Dona Dadá nos levava para sermos coroinhas.

E muitas vezes não conseguíamos conter o riso ao vermos os amigos com aquela roupa de padre.

Hoje, a casa de Dona Dadá está fechada.

Existe somente um silêncio cheio de nostalgia.

Mas, ainda consigo ouvir a música que tocava na Vitrola.

Basta fechar os olhos.

Quando nos reuníamos, logo vinham idéias de irmos tomar banho no Oteca, Alberico, Bate-Estacas.

Muitas vezes tomávamos banho na Lagoa do Boi.

Como era divertido.

Quando chegou a televisão era uma festa só.

Reuníamos-nos na janela de alguém, pois somente alguns possuíam televisão.

Parecia um cinema na Colorado RQ.

E havia a propaganda da Colorado RQ que era assim: Está comprovado! Agora podemos dizer! Colorado RQ o melhor televisor colorido do Brasil!

E nossos quintais não possuíam cercas.

Eram caminhos que sempre nos levavam aos melhores dias de nossas vidas.

No meu porto de solidão, ancorando a nostalgia, chegam tantas lembranças, que fechando os meus olhos volto a esta página da vida que sempre existe dentro de todos nós.

Os banhos e igarapés com aquela água geladinha e limpa, só existe na lembrança.

Muitas vezes sinto vontade de comprar algo na Taberna Pindaré.

Mas, o que eu gostava mesmo era de ficar olhando para o céu.

Imaginava mil aventuras neste livro tão pequeno que se tornou a minha vida.

Depois tem mais!



DIZ A LENDA

domingo, 6 de fevereiro de 2011

DIZ A LENDA – LUZ NO CENTRO HISTÓRICO

Por: Beto Ramos





O samba estava muito bom!

A sintonia era perfeita entre a população e os músicos.

Há muito tempo que não existia tanta calmaria no Centro Histórico de Porto Velho.

Quem controlava a hora perdeu o tempo dentro da história.

Ver o poeta feliz ilumina ainda mais nossa Porto Velho que tanto amamos.

O único choro que ouvimos, foi o chorinho comandado por Ênio Melo, Walber e França.

Assim é A Fina Flor do Samba.

Uma formação de sambistas que fazem valer o esforço de levar ao grande público o que existe de melhor no samba em Porto Velho e no Brasil.

Quando o combinado é mantido tudo é uma festa de alegria.

O samba é samba quando estamos com Ênio, Walber, França, Basinho, Oscar, Karatê, Áureo, Sérgio Ramos, Walber do Pandeiro, Beto Ramos, Hudson, Cristovão, João Carteiro, Willian, Coimbra, Neguinho e o nosso poeta da cidade Ernesto Melo.

A quarta-feira é boa? Sim!

A quinta-feira é boa? Sim!

O sábado é bom? Sim!

Mas, a sexta-feira com “Ernesto Melo e A Fina Flor do Samba” é a luz que ilumina o nosso Centro Histórico.

Que os críticos interpretem bem ou mal minhas palavras.

Mas, que busquem fazer o que nós fazemos por Porto Velho.

O que fazemos é por amor.

Não buscamos ser melhores ou piores.

O que buscamos é levar ao público o talento de quem sabe e faz acontecer.

A Fina Flor do Samba é um palco aberto onde passaram Dunga, Roice do Cavaco, Marquinhos PQD, Chico da Silva.

Existe o espaço onde desfilaram o seu talento Carlinhos Maracanã, Cabeça do Mocambo, Alcirea, Sílvio Santos, Bainha, Torrado, Beto César, Edson Melo e tantos outros artistas de um quilate a altura da luz que ilumina o nosso Centro Histórico.

A manutenção deste grupo de sambistas é feita com os reflexos que o espelho de talentos causa em Porto Velho.

O talento de muitos já os levam para vôos solos longe da “A Fina Flor do Samba”.

Mas, isso só causa orgulho.

Viva o samba em Porto Velho.

Obrigado ao grupo “Ernesto Melo e A Fina Flor do Samba” por fazer do nosso Centro Histórico um lugar para se fazer amigos.

Sabe poeta, neste combinado todos saíram e chegaram juntos.





Diz a lenda.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Diz a lenda - Sambista?

Por: Beto Ramos



O samba é muito triste.
Triste assim como as palavras que magoam a alma do sambista.
A tristeza do sambista é o silêncio sem prantos.
O sambista que deixa seu pranto pelo caminho nem deveria existir.
O caminho do sambista é feito muitas vezes de silêncio.
O silêncio pode perceber os devaneios de quem faz barulho em vão.
O samba é muito triste.
Existe uma tristeza sem palavras.
Eu que não sou sambista posso cantar minha tristeza em qualquer caminho.
Triste é o caminho de quem chega quase calado, e faz logo do seu silêncio um motivo para magoar quem não é sambista.
Triste é o choro sem lágrimas.
A alegria das lágrimas fica no que elas fazem brotar.
Eu que não sou sambista, posso chorar.
Choro em silêncio sem falar o que não é preciso.
O samba é triste.
Eu que não sou do samba com certeza não desperdiçaria minhas lágrimas com palavras sem nenhuma importância para o meu sorriso.
Precisando, guardo o meu reco e fico apenas com o silêncio do meu diz a lenda.
O samba é muito triste.
Como eu não sou do samba, com certeza posso sempre sorrir.
Tristeza de sambista é palavra dita em hora incerta.
Eu que não sou sambista fico com o meu silêncio, minha elegância nas palavras e um bom-senso que deveria existir na vida de muitos sambistas.

Diz a lenda.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

DIZ A LENDA – PRESENTE DE GREGO

Por: Beto Ramos

Vai.
Busca o teu sonho.
Canta como um passarinho, que mesmo sem ninho, canta como um menino do Brasil.
Vai.
Leva o teu canto aos Arcos da Lapa.
Deixa que o brilho dos teus olhos também seja a nossa esperança.
Faz o teu ninho em qualquer lugar do Brasil.
Vai.
Deixa a felicidade em todos nós.
Canta o teu povo.
A tua gente.
Os amores e suas crises.
Rondônia é bem maior que o abraço de alguns.
Se o amor não tem idade, a esperança é nossa realidade.
Cerveja gelada é coisa de sambista.
Vai.
Leva contigo um pouco de todos nós.
O samba quando é samba ele é de todo o Brasil.
Veste a tua camisa e mostra a frase “EU SOU DO SAMBA”.
Meu caro Beto Cezar que já foi carimbó vai e leva o teu sucesso que é todos nós.
Só não me volte com um presente de Grego.
Vou querer o seu CD e não o do Neguinho da Beija-Flor que era do Karatê.
Vai.
Nunca esqueça que quando nosso céu se faz moldura, nós os bandeirantes de Rondônia nos orgulhamos de sermos caboclos e beradeiros.

Diz a lenda

DUZENTOS E CINQUENTA EM QUATRO I

Os pesadelos não podem ofuscar nossos sonhos. Diante da inconsequência de quem resume a vida dos outros na sua prisão de lamentos, ...