sábado, 28 de abril de 2012

Diz a lenda – Apenas um bobo / Beto Ramos

Na curva do rio Madeira, foi lançada nas águas barrentas dos nossos sonhos coloridos, uma herança maldita, que será absorvida pelos que abrirão a porta dos fundos da história. O lindo pôr do sol nas tardes coloridas de nossas retinas esconde o carmim de um período de lamentações. Somos coloridos e não nos pintamos com uma só cor. A luta desmascarada pelas atitudes contrárias ao desejo do povo, que sedento de realizações, viu ruir valores defendidos ao preço de qualquer moeda, tornou-se motivos de desmandos cheios de impactos, há começar pelas esquinas do nosso tão amado centro histórico. Serão levados pelo vento, cânticos dos tambores da nossa aldeia, a serem ouvidos lá na serra do Tracoá. E não serão poucos. Cânticos de um povo que cansou de ver tolos fantasiados de reis. O séquito segue com muitos saquitéis em canoas com furos que os levarão a um naufrágio certo, perto ou longe da curva do rio Madeira. Há uma antiga história a respeito de um rei que, de acordo com os costumes da época, tinha o seu bobo da corte. Estes bobos da corte tinham o direito de dizer a verdade aos reis e príncipes, mesmo que fosse amarga. Se ela era amarga demais, simplesmente dizia-se: "Ele é apenas um bobo!”. Diz a lenda

Diz a lenda – Sem Rumo

Por: Beto Ramos
Porto Velho amanhece triste. Com peixes sem rumo quase morrendo afogados. Lágrimas nos olhos do rapaz, que lê a reportagem. Ele não sabe que o seu futuro, poderia custar o fim da piracema. Chegaram os matadores de histórias. Armas nas mãos. Máquinas, monstros fora de estrada que modificam tudo. Pobre rapaz! - Olha o peixe, do viveiro do futuro! O rio chora. - Mãe, me deixa pescar no rio? - Não, tá muito cheio com o banzeiro muito bravo! O pobre rapaz veio de longe e não tem noção da tristeza da cidade. Foi demitido, encontrando-se jogado lá no Campo 13 de Setembro. Ele quer o peixe para tirar gosto com cachaça. Pobre rapaz ajudou a destruir e quase foi destruído. - Mãe, o homem tá chorando lá no campo! - Ele quer voltar para casa meu filho! Pobre rapaz, o impacto o atingiu. O peixeiro segue vendendo o seu peixe de viveiro. Como o rapaz, os peixes do rio Madeira, estão sem rumo e definhando na natureza que lhes pertencia. Diz a lenda

DUZENTOS E CINQUENTA EM QUATRO I

Os pesadelos não podem ofuscar nossos sonhos. Diante da inconsequência de quem resume a vida dos outros na sua prisão de lamentos, ...