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Restauração básica - Por: Beto Ramos

Diz a lenda - Velho Pimentel

Por: Beto Ramos O Zé Cachorro latindo no portão. Alguém batendo palmas. - Bom dia! - Boas! - O que o senhor deseja? - Qual a sua graça meu filho? - Beto Ramos! - E a sua? - Pimentel, Velho Pimentel! - Estou precisando falar com você! - O senhor deseja entrar? - Não, obrigado, já moro no seu coração! - Pode ser! - Estou te procurando, pois andam perguntando por muitas coisas que poucos ainda lembram. - Quem? - Você mesmo! - Talvez! - Você poderia me levar no Café Santos, gostaria de ver o Bola Sete! - Ou quem sabe você me leve para tomar um tacacá na D. Chiquinha! O Zé cachorro latindo. Estaria sonhando! Eu com o Velho Pimentel! Mas, ele continuou a perguntar. - Depois você me leva lá na Rua da Palha, passa pelo Beco de Mijo e vamos passear na Baixa da União. - Antes me leve no bar Central, depois no Internacional e se der tempo vamos ao Municipal. - Como o senhor sabe de tudo isso? - Eu sou a origem de tudo isso! - Estou em você como estou na alma de muitos...

Diz a lenda - Capitão de Feijão

Por: Beto Ramos Lembro-me que minha avó amassava com a mão o feijão, a farinha e fazia o capitão. Alguns chamavam de macaco. Mas, aquele capitão era gostoso demais. Estive observando alguns jovens, que falavam em Big Mac. Eu beradeiro fiquei novamente cheio de saudosismo. Bem, alguns não gostam que se fale em saudosismo. A panela no meio da mesa. A meninada com olho comprido e com fome. O café cheirando no bule. - Vó faz capitão! - Agora! E a panela começava a ser o nosso Shopping Center. Amassa para cá e amassa para lá. Cada um dos netos ganhava um. Eu tenho certeza que tem doutor, engenheiro, arquiteto, jornalista, poeta, quem faz prosa, que neste momento vai sorrir e lembrar que comeu um capitão de feijão. Hoje eu não sei se a turma sabe destas histórias. Mas, não vai ser eu que vou deixar de contar. O bucho ficava azul. O pote ficava quase seco depois que a meninada tomava água. A bola de sarnambi já estava no meio do quintal. E a meninada...

Diz a lenda - Cheiros e Sabores

Por: Beto Ramos Hoje, acordei cheio de saudosismo. Olhei a mesa na minha frente e lagrimei os olhos. Lembrei-me dos cheiros e sabores da casa de minha avó. Cedinho com o Sol nascendo o cheiro de café invadia a casa. O café era torrado ali mesmo. Neste exato momento, sinto o cheiro daquele café que somente vovó sabia fazer. Mas, o sabor daquele café que vinha no bule, foi pro andar de cima com minha avó. E tinha bolo de macaxeira. Pé de moleque. Tapioca e beiju. Cuscuz feito na tampa da panela! Tinha banana frita. Algumas vezes, na época da pindaíba, tinha chibé. Curau. Mingau de banana com tapioca. Milho cozido. Havia também bodó com canela e açúcar por cima. Tinha leite de camburão. Sozinho, observo a mesa e sinto um grande medo que velhas identidades estejam em declínio. A cozinha da casa de minha avó possuía uma grande mesa. No centro desta mesa ficavam sempre a farinheira e uma fruteira que sempre era abastecida com banana prata. Nossa...

Diz alenda - Contar mais cinco

Por: Beto Ramos O Curupira atraiu o caçador que estava vestido de branco. Cheio de medo ele saiu fumaçando pela mata sem encontrar o caminho. Assustado, foi parar na beira do rio atraído pelo canto da Mãe d’água. Montado num Caititu, o Curupira passou azulado sorrindo com seu cachimbo na boca. O caçador livrando-se da beleza da Mãe d’água saiu de fininho sem dar um pio. Nas sombras da floresta, começou a ver visagens. Lá vem a Matinta Pereira. Seria ela uma velha bisbilhoteira querendo assustar o caçador? - Nunca mais vou caçar e nem seduzir! E correu para bem longe. Estava ouvindo vozes dentro da mata. Seguiu novamente em direção ao rio. Encontrou a Boiúna pensando que era um navio que poderia socorrê-lo. A Boiúna transforma-se em navio fantasma. O caçador como uma criança ficou com vento caído, pois logo encontrou o Caipora. Cuidado com o caiporismo! Quem lembraria de Dona Cotinha? Mas naquela mata não existia rezadeira. E lá vem novamente o C...

Restaurações e algumas manipulações básicas feitas por Beto Ramos.

Um pouco da arte do Beto Ramos!