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Marcas do Passado

Existiram dias em minha vida que a fumaça destas queimadas nem se comparavam aos dias nebulosos que vivi. Junto de minha mãe, passei por tantos caminhos tortuosos que as lágrimas dos meus olhos, fecundaram os momentos felizes que vivo hoje. Por sofrer por amor, minha mãe até hoje possui uns olhos caboclos que sempre se perdem no horizonte de sua alma. Dos filhos, por ser o mais velho e homem, deixei sobre os meus ombros um fardo tão pesado que nestes últimos anos, os meus olhos também começaram a se perder no horizonte. Como diria o meu grande amigo de algumas farras homéricas da época do Bilu Teteia, Carmênio, resolvi dar uma olhada nos meus alfarrábios. Coisas antigas, minhas, pedaços do meu coração que foram ficando em palavras sem rimas, sem a preocupação com a gramática ou fonética. Minha mãe viveu um só grande amor em sua vida. Um amor intenso, um amor para toda a vida. Um amor cheio de marcas, no coração e no rosto. Um amor com momentos felizes e muitos, mas, muitos momentos para se perder o sono. Do meu pai herdei uma forte opinião e o gosto por sempre querer participar de confrarias etílicas pelas madrugadas da minha tão querida Porto Velho. Mas, mostrei-me um beiradeiro de vergonha, e não deixei a marca do filho de peixe peixinho é. Como minha mãe respiro sensibilidade. Vivo sempre a espera de um milagre, onde a minha vida e a vida dos meus amigos, familiares possa ser cheia de felicidades e sem dias nebulosos. Como meu pai, sou crítico por natureza. Mas, também flexível ao ponto de sofrer pelo sofrimento dos outros. Alguém vai me perguntar sobre estas palavras. Talvez o texto de minha mãe que vai abaixo desta minhas linhas possa explicar. O amor e o desamor podem modificar a vida de muitas pessoas. Quando fomos morar sozinhos sem meu pai, arrumamos uma casa de madeira sem piso, portas e outras coisitas mais. Um dia tão triste em nossas vidas que nem a alegria que vivemos hoje pode apagar. Perdoe-me meus amigos, O Gente de Opinião, os que gostam e que não gostam de mim. Mas, palavras nascem do coração. Talvez muitos possuam o medo de mostrar o que viveram. Mas, as vezes é preciso dizer qualquer coisa sobre a gente. Um desabafo que não chega a ser triste, chega apenas a ser verdadeiro. O texto que vai abaixo vai ser escrito na íntegra, com erros de português iguais aos meus. Saibam vocês que palavras tão sinceras com certeza existem na alma de muitos de nós. Coisas simples, que quando vivemos nos levam ao céu e o inferno em alguns segundos. Se vivemos um grande amor, precisamos vivê-lo com intensidade, para que no amanhã que sempre se aproxima tão rápido as marcas do passado não possam nos perseguir como fantasmas que sempre batem em nossas portas.




“Pensei que

todo mundo

amasce igual a mim.

Mais foi puro engano.

Amei, amei, muito.

Mais não fui correspondida.

Espero ser amada algum dia,

não sei quando e

nem por quem, só o

mundo e tempo dirá.

A pessoa que mais amei

nunca descobrio que eu

daria até minha vida se

preciso fosse por ela.

Por isso pois tudo a perder.

Um amor tão bonito que

poderia dura a vida inteira”.




Maria José dos Santos Ramos







Hoje, vou assinar como realmente me chamo




José Carlos Oliveira ou Beto Ramos.




Diz a lenda.

Comentários

  1. Coragem que falta em uns e sobra em outros.
    Assim é Beto Ramos. Corajoso ao despir sua infância. Ao mostrar a carne dilacerada pelos tratos da vida. A deformidade que se consegue esconder nas nuances de uma vida, finalmente, aperfeiçoada.
    Assim é o mundo nosso de cada dia. Máscaras que nos escondem de sombrias lembranças.
    Assim é o mundo daqueles que não têm coragem.
    Parabéns, Beto, por expor de forma tão sincera - tão humana - a realidade da vida que não é apenas sua, mas de todos nós, sobreviventes das turbas assanhadas passado.
    Artur Quintela

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