Pular para o conteúdo principal

Diz a lenda – Pássaros do samba




Por: Beto Ramos

Voam os pássaros.
Tristes ou felizes, eles cantam.
Mesmo que seja em uma canção triste, os pássaros voam por nossos pensamentos.
Os prisioneiros das canções somos nós.
Vivemos em gaiolas como pássaros com os olhos furados, para não podermos ver o que nos rodeia.
Cantam os pássaros.
Um canto triste disfarçado de sorrisos.
Os pássaros precisam ser livres.
Pousam os pássaros em nossos instrumentos.
Surdo de marcação, pandeiro e violões se entristecem.
Eles são pássaros alimentados por nossa alegria.
Quando os pássaros cantam, eles precisam ser ouvidos.
O caçador cruel com sua baladeira em forma de caneta ou vaidade tenta deixar mudos os pássaros que alegram o nosso centro histórico.
Os pássaros já não são alimentados com respeito.
Mas, querer calar o som da verdade é entristecer uma platéia que acha belo o canto dos tristes pássaros ouvido em todas as ruas de Porto Velho.
Voam os pássaros.
Recebem aplausos para cantarem.
Mas, as gaiolas precisam ser abertas.
Pássaros que cantam não precisam ser aprisionados por tolos devaneios, de quem imagina que o mundo pode caber dentro do umbigo.
Voam os pássaros.
Aos poucos estão se entristecendo.
Mesmo tristes, os pássaros precisam ser livres.
Qual seria o preço da liberdade?
Seriam dezenas de pássaros cantando ao mesmo tempo, o que poderia ser cantado por somente um pássaro?
Ou seria o silêncio de muitos instrumentos?
A liberdade possui um valor.
Pássaros que cantam as mais belas canções, não precisam ser etiquetados ou rotulados, como algo que agoniza mais não morre.
Quem estaria triste ou feliz?
O samba é belo demais para deixar triste o pássaro da nossa consciência.

Diz a lenda.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CABARÉ DA ANGELA MARQUES - "PEGA FOGO CABARÉ!"

DUZENTOS E CINQUENTA EM QUATRO I

Os pesadelos não podem ofuscar nossos sonhos. Diante da inconsequência de quem resume a vida dos outros na sua prisão de lamentos, o que nos resta a fazer, é sair em retirada com a bandeira cinza da paz (dos covardes). Temer o presente é algo tão comum. Mas temer o futuro é algo surreal. É desvendar segredos que sempre ficam no batente da porta. Taciturno que sou, tenho medo do barulho dos outros. A poesia não deveria se acovardar. Mas os covardes são os que queimam as linhas da história, criando fantasias, onde o principal objetivo é fechar a porta de nossa cultura, sofrida, carente e que acredita em tudo. Oxalá que nos proteja! A alegria sempre chega. Nascem sorrisos. Pulsa vida diante de quadros quase impossível de resolvermos. Por mais insuportável que seja a situação, nos obrigamos a questionar situações impostas pelo destino. Não nos adiantaria ficar expostos entre luzes que ofuscam as nossas verdades. Sempre resta um sorriso... Qualquer... Feito de silêncio. Sempre nasc...