terça-feira, 19 de julho de 2011

Diz a lenda – O trem passará?

Por: Beto Ramos


A vida passando diante dos olhos.

O trem parado, sem fumaça e sem vapor.

Crianças que ainda não entendem da história, brincam na máquina que é a origem de suas histórias.

Pessoas passando a todo o momento.

Falando alto.

Com passos apressados em busca de algum sonho.

Os velhos funcionários da EFMM, já com seus passos lentos, ainda alimentam suas esperanças por dias melhores para os trilhos que sempre ficam em silêncio.

Mendigos e tapumes, como a cerca que existiu um dia dividindo o inicio de Porto Velho.

Coisas fora do lugar.

Lugares sem possuir as coisas de outrora.

Galpões cheios de fantasmas que assombram quem imagina que o fim do arco íris é ali.

O maior evento cultural daquele espaço bem que poderia ser a reativação de alguns trechos de nossa Estrada de Ferro.

Mas, o sonho continua diante da banda que toca alto e exalta o verde que fez a nossa história ficar com um tom acinzentado diante das estrelas dos generais.

Os trezentos e sessenta e quatro quilômetros da Estrada de Ferro tornam-se obstáculos, assim como as cachoeiras destruídas da nossa história.

A vida passando diante dos olhos.

Conhecendo o passado desvendamos o futuro.

Esquecendo o passado alimentamos os monstros que poderiam se afogar nas águas do rio Madeira.

Precisamos lembrar O bobo de Clarice Lispector.

Tragam de casa suas cadeiras para ver o nosso trem fantasma da história.

Mas, não olhem atrás do tapume.

Ali pode ficar o monstro que engolirá um pedaço da nossa história.

A vida passando diante dos olhos.

Loucos observam o por do sol.

Pobres coitados compõem seus versos meio ao povo que fica assustado com tantos passos sem direção.

Camaradas e companheiros se atropelam perto da protegida rotunda.

Falam línguas diferentes da época da construção da Estrada de Ferro.

Armam o povo com palavras.

O povo não está sem texto.

Sem texto ficam os que acham que convencem com suas palavras bonitas.

O trem do tempo com certeza passará.

Quem ficará na estação do passado, os bobos ou os que possuem discurso bonito?

Diz a lenda



Diz a lenda

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