sábado, 7 de maio de 2011

Até breve

Por: Beto Ramos

A luz se apagou.
O poeta usando da tristeza exilou em algum lugar o seu quase samba.
Fecharam-se as cortinas.
Mudou o clima.
Apenas vai chover.
Tempestades com trovões e raios não mudariam o que é belo.
A luz se apagou.
Durante a escuridão o sambista partiu.
Foi ao encontro de algo que nunca encontrará.
Na escuridão não poderíamos ver a imperfeição.
O poeta fecha uma porta que nunca se abriu.
Nunca existiu porta.
O que sempre existiu foi uma porteira.
O sambista se retira apenas para manter as aparências.
Aparências que são visíveis de qualquer ponto das contrariedades.
A luz se apagou.
O sambista não deseja o retorno do seu quase samba.
Nunca existiu bom dia nem boa noite.
O poeta volta para um Porto Velho que tanto ama.
O poeta deseja andar nas ruas antigas.
Quando a luz se apagou, o poeta buscou as lamparinas.
A poesia está triste.
Triste pela falta de luz.
O poeta não deseja compreender os olhares.
Os olhares são tristes e cheios de medo.
O poeta deseja apenas paz.
A força das palavras sempre existirá mesmo no escuro.
A luz se apagou.
O poeta junto com seu samba deseja ficar no escuro.
O poeta não deseja que o reconheçam na subida ou na descida da ladeira.
O poeta vai abrir os braços no meio da praça.
Vai dizer que nunca existiu poesia.
O que sempre existiu foi o silêncio acompanhado de muitas pessoas.
A luz se apagou.

Diz a lenda

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