terça-feira, 28 de julho de 2009

A fotografia e a eternidade

Uma fotografia, qualquer que seja, tem a capacidade de nos colocar diante de um enigma temporal. Tão logo vemos uma fotografia de imediato somos tomados por uma série de questões. Quem? Quando? Onde? Porque? A imagem, soberana, a nada, ou quase nada, nos responde. A fotografia questiona, faz pensar. As chaves para decifrar seus enigmas são todas as que o leitor for capaz de encontrar. Uma fotografia é uma gama imensa de possibilidades de interpretações. O certo é o incerto. Logo, a fotografia é a linguagem mais ligada à imaginação que à razão.
A fotografia é a representação de algum momento passado. Tão logo acabamos de dar um clic na máquina, a cena que víamos já foi tragada pelo tempo. Dessa forma devemos pensar que a fotografia é a linguagem que só existe enquanto narrativa de algo que já passou, já morreu.
O que são essas imagens que vemos impressas em papel fotográfico, meio amareladas numa caixa de sapato dentro do guarda-roupas ou organizadas em álbuns? Que imagens são essas capazes de nos puxar pela memória emoções tão genuínas? Porque essas fotografias que ilustram as páginas de um jornal, de uma uma revista, nos causam ternura, raiva, compaixão, alegria?
Uma fotografia espelha de forma crua e poética a tentativa do homem em registrar a trajetória da sua vida. Seja fotografando o aniversário de um parente ou uma viagem de fim de semana, sempre pensamos em eternizar momentos que sabemos fugidios. Fotografar é uma tentativa sorrateira de estancar a sangria do tempo. De fixar, para sempre, emoções que surgem e desaparecem num átimo.
Sabemos, afinal, que as fotografias irão sobreviver a todos nós. Fotografar, portanto, é a afirmação do nosso desejo de imortalidade. Uma forma da nossa história ganhar uma sobrevida. Quem, afinal, não se emociona ao ver imagens de nossos entes queridos que já não podem mais ser fotografados.
O poder que as fotografias possuem em estimular nossa imaginação e essa conexão com o eterno são fatores que permanecem intrínsecos à linguagem. É o que estimula quem cria e quem observa imagens com acuidade, para além do bombardeio de imagens a que somos impostos diariamente. Permitir-se sensibilizar com o olhar do outro é um ato de entrega e de comunhão sem paralelos.

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