segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Amanhã!

Precisar todos os dias lembrar das próprias palavras.
Quase esquecer os nomes das pessoas.
Não lembrar se tomou o remédio na hora certa.
Perder o celular.
Não lembrar onde fica a chave da moto.
Ficar sem lembrar o que se passou uma semana atrás.
Esquecer o português que outrora foi uma força.
Trocar as palavras.
Esquecer a semântica.
Nunca encontrar a oratória.
Olhar para tudo e não conseguir entender muito bem.
Começar a entrar num mundo cheio de solidão.
A mão começa a tremer.
É meu caro beradeiro, as coisas vão mal.
Mas, não podemos ficar de mal com Deus.
Ficar por ai.
Sair sem destino algum.
Voltar com meia noticia.
Começar a não lembrar da senha no computador.
Não lembrar o que foi escrito ontem.
É meu caro beradeiro.
Precisamos ser rápidos.
Dobrar a esquina e não lembrar se ligou uma das setas.
Confundir as cores do sinal de trânsito.
O duro é começar esquecer o português.
Parecemos nunca ter estudado.
Uma pena Deus.
Você Deus é a maior lembrança de mim mesmo.
E se a mão começar a tremer.
Tchau reco.
E se a vida se tornar um esquecimento, será que lembraremos que estivemos aqui.
É Deus preciso lembrar de tantas coisas.
Sabe Deus tenho tanto medo da solidão.
Bem, vou dormir!
Talvez não lembre se sonhei ou não.
É meu caro beradeiro, diz a lenda.

Diz a lenda.

Um comentário:

  1. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir

DUZENTOS E CINQUENTA EM QUATRO I

Os pesadelos não podem ofuscar nossos sonhos. Diante da inconsequência de quem resume a vida dos outros na sua prisão de lamentos, ...