sábado, 1 de maio de 2010

ESTAMOS CURVA DE RIO


Diz a lenda que ver a água beijando o barranco do velho madeira em sua interminável busca pelo mar, é descobrir que existem muitas curvas de rio. Lembro quando meu avô explicava o significado de curva de rio. É que por ali vão ficando muitas coisas bonitas e tranqueiras. Diz a lenda que não poderíamos escrever sobre algo que não sentimos nada. O que poderíamos dizer quando a lua se entristece quando sua luz encantada não é percebida. E o que dizer das lágrimas quando os olhos estão fechados deixando a alma molhada e com frio. E o rio corre lindo com seus reflexos dourados num entardecer onde poderíamos enamorar a inspiração que nos faria escrever sobre qualquer coisa. Então a poesia fecha os olhos para a beleza, e insiste em querer ver apenas as curvas de rio. E a poesia poderia dizer algo bonito sobre as curvas do rio. Mas, a poesia tentou se mostrar curva de rio. Diz a lenda que meus olhos deixaram minha alma molhada e com frio. Justo os meus olhos que veem o rio bonito e as curvas de rio. A poesia fala por si sem precisar de atitudes impensadas. A poesia precisa ver o brilho da lua. Então eu me senti curva de rio. Pois ando de braços dados com a poesia. E restou um pouco de decepção que futuramente será cantada em alguma praça de minha Porto Velho beradeira, que mora no meu coração. Diz a lenda que os cavaleiros armados com suas poesias, músicas e instrumentos musicais se entristeceram e ajoelharam-se aos pés da poesia para ver a água beijando o barranco do velho madeira em sua interminável busca pelo mar. E a lenda e os cavaleiros sempre estarão ao lado da poesia. Pois a poesia é a nossa historia. E todos os cavaleiros estão curva de rio. Então vejo os olhos de meu avô cheios de água, tendo ao fundo uma canoa velha com um velho alfarrábio, dizendo que a poesia é tudo isto. A poesia também é tristeza. Mas que tristeza é esta, ela não poderia vir pelas águas barrentas do nosso velho madeira. Diz a lenda que as andorinhas sempre estarão ao alcance dos nossos olhos. Que os nossos bairros sempre estarão de ouvidos abertos esperando aquela canção, que nos deixa com vontade de quero mais. Hoje a lenda já falou demais sobre algo que não entende muito: “a tristeza”. E que as nossas sextas feiras sejam cheias de alegria, e com a poesia sempre falando de coisas bonitas.




Beto Ramos – Fotografo e restaurador de imagens antigas

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