sábado, 17 de abril de 2010

Cultura viva

A lenda do respeito

Existe uma lenda em Porto Velho, que as estrelas no céu passaram a brilhar com mais intensidade quando a sexta feira chega, trazendo em sua grandeza uma viagem pela história da nossa gente. Esta lenda nasceu em uma praça com violões e tamboris iluminados pela luz vinda da alma de músicos que cantam os nossos bairros, os nossos poetas, boêmios e uma Porto Velho que precisa ser lembrada em versos e prosas. Diz a lenda que o sangue que corre nas veias destes músicos é como águas barrentas do velho Madeira. Sangue que flui em notas musicais e lindas canções, que o vento leva a todos os cantos do Triângulo, Mocambo, Baixa da União, Caiari e todos os nossos bairros que precisam saber da nossa história. Diz à lenda que as sextas feira eram tristes em frente à Praça Getúlio Vargas. Eram silenciosas e cheias de melancolia. Diz a lenda que junto das cinzas e entulhos que ficaram na lembrança de quem sabe a história, restou uma fênix beradeira que fez renascer um pedaço da nossa história cultural. Diz a lenda que entre mortos e feridos, restaram pedaços de uma resistência intensa cantada aos quatro cantos de nossa Porto Velho, tão querida. E soam os tambores, violões, pandeiros, tamborins, cavaquinhos, repique de mão, um surdo na marcação, fazendo a nossa população aplaudir as estrelas do céu que passaram a brilhar com mais intensidade. E essas estrelas nos observam com os nomes de Babá, Manga Rosa. Estrelas que brilham entre a gente como Silvio Santos e Bainha. Diz a lenda que quando soam os tambores na sexta feira, Santa Bárbara renasce, a Favela se ilumina, O alto do Bode cria vida, até ouve-se a seresta no Imperial. Diz à lenda que querem que volte o tempo dos generais. Generais sem farda que não querem respeitar a nossa cultura, e ocupar as sextas feira com um toque de recolher, para que se cale uma história que muitos pegaram pela metade. Diz a lenda que vindos da margem direita do Madeira cavaleiros armados com suas poesias, versos, músicas e instrumentos musicais, lutarão como nunca para que as estrelas continuem sempre a brilhar no céu incomodando o sono das andorinhas para que quando o sol desponte traga todo o seu calor aos corações que sabem que amar Porto Velho é amar a história da nossa gente.


Beto Ramos
betoramospvh@hotmail.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DUZENTOS E CINQUENTA EM QUATRO I

Os pesadelos não podem ofuscar nossos sonhos. Diante da inconsequência de quem resume a vida dos outros na sua prisão de lamentos, ...